Quando pensamos em menopausa, as ondas de calor costumam ser as primeiras a aparecer na conversa. Mas uma pesquisa realizada para a Kunda Care mostra que as mudanças percebidas pelas mulheres vão muito além dos fogachos — e podem afetar o sono, a memória, a energia, a sexualidade e a relação com o próprio corpo.

Você dorme, mas acorda cansada. Esquece uma palavra no meio da conversa. Percebe que a pele está diferente, que o cabelo mudou ou que a disposição já não é a mesma.

Às vezes, essas mudanças chegam aos poucos. Outras vezes, parecem acontecer todas ao mesmo tempo.

E nem sempre é fácil entender o que está acontecendo.

Uma pesquisa realizada para a Kunda Care, em junho de 2026, com 164 mulheres, principalmente acima dos 50 anos, ajuda a ampliar essa conversa.

O que chama a atenção nos resultados é a diversidade de sintomas relatados e como eles vão muito além das tradicionais ondas de calor.

Entre os desconfortos mais frequentes estão alterações no sono, dificuldades de memória e concentração, mudanças na pele e nos cabelos, diminuição da libido e falta de energia.

Um retrato que reforça algo importante: a menopausa não acontece da mesma maneira para todas as mulheres. E compreender isso também faz parte do cuidado.

O que a pesquisa revelou?

Entre os sintomas relatados pelas 164 participantes, cinco se destacaram:

  • Insônia ou sono fragmentado: 62,2% (102 mulheres).

  • Dificuldade de concentração e lapsos de memória: 57,9% (95 mulheres).

  • Pele mais seca, perda de elasticidade e queda de cabelo: 56,7% (93 mulheres).

  • Diminuição da libido: 56,1% (92 mulheres).

  • Fadiga e falta de energia: 55,5% (91 mulheres).

Esses resultados refletem as experiências das participantes, sem representar necessariamente todas as mulheres brasileiras.

Mas revelam algo importante: os desconfortos dessa fase não se limitam às ondas de calor. Eles podem aparecer no trabalho, nos relacionamentos, na autoestima e nas pequenas tarefas do dia a dia.

Dormir mal: quando a noite deixa de ser reparadora

O sono foi o desconforto mais citado pelas participantes.

Para algumas mulheres, a dificuldade está em adormecer. Para outras, em acordar várias vezes durante a noite ou despertar muito cedo e não conseguir voltar a dormir.

Durante a transição menopausal, alterações hormonais, suores noturnos e mudanças de humor podem contribuir para essas dificuldades. Mas o sono também é influenciado por estresse, hábitos e outras condições de saúde.

E uma noite ruim raramente termina quando o dia começa. Ela pode trazer cansaço, irritabilidade e dificuldade de concentração.

Dormir bem não é um luxo. É uma parte essencial da nossa saúde.

Manter horários regulares, reduzir estímulos antes de dormir e criar um ambiente confortável são medidas que podem ajudar. Quando a dificuldade persiste, vale procurar orientação profissional.

Memória e concentração: por que parece que a cabeça não acompanha?

Você entra em um cômodo e esquece o que foi buscar. Perde o fio de uma conversa. Precisa reler uma informação que antes compreenderia rapidamente.

Essas experiências são frequentemente chamadas de brain fog, ou névoa mental.

Durante o climatério, algumas mulheres percebem alterações na atenção e na memória. Mudanças hormonais podem participar desse processo, mas noites mal dormidas, ansiedade, estresse e sobrecarga também influenciam.

Isso não significa que toda dificuldade de memória seja causada pela menopausa, nem que indique necessariamente uma doença neurológica.

Nem toda dificuldade de concentração é falta de atenção. Às vezes, é um sinal de que precisamos olhar com mais cuidado para nossa saúde.

Se os esquecimentos forem persistentes, progressivos ou prejudicarem a rotina, é importante buscar avaliação médica.

Pele e cabelos: quando o espelho mostra novas mudanças

A pele parece mais seca. O cabelo perde volume. Produtos que funcionavam antes já não apresentam o mesmo resultado.

Com o envelhecimento e as mudanças hormonais, especialmente a redução do estrogênio, podem ocorrer alterações na hidratação e na elasticidade da pele, assim como na espessura e na densidade dos cabelos.

Mas nem toda queda de cabelo ou alteração da pele está relacionada à menopausa. Questões nutricionais, dermatológicas e outras condições também podem estar envolvidas.

Nessa fase, talvez seja necessário rever hábitos de cuidado, incluindo hidratação, proteção solar, alimentação e acompanhamento profissional quando indicado.

Não para tentar manter a aparência dos 30 anos.

Mas para cuidar da pele e dos cabelos que temos hoje, respeitando suas novas necessidades.

Libido: um assunto que ainda merece mais conversa

A diminuição do desejo sexual foi outro sintoma bastante mencionado.

Durante o climatério e a menopausa, mudanças hormonais podem influenciar o desejo, a lubrificação vaginal e o conforto nas relações.

Mas a sexualidade vai muito além dos hormônios. Relacionamentos, estresse, autoestima, sono, saúde emocional e experiências pessoais também fazem parte dessa história.

Algumas mulheres percebem uma redução importante da libido. Outras não observam mudanças. E há aquelas que vivem essa fase com maior liberdade e satisfação sexual.

Todas essas experiências são possíveis.

A sexualidade não tem prazo de validade. E falar sobre ela também é cuidar de nós mesmas.

Cansaço e falta de energia: nem sempre é apenas a rotina

É aquele cansaço que nem sempre combina com o que fizemos durante o dia. A sensação de precisar de mais esforço para realizar tarefas habituais ou de não encontrar disposição para atividades que antes faziam parte da rotina.

Durante o climatério, noites mal dormidas, alterações de humor e outras mudanças físicas podem contribuir para essa sensação.

Mas cansaço persistente também pode estar associado a anemia, alterações da tireoide, deficiências nutricionais e outras condições.

Por isso, não devemos atribuir automaticamente toda falta de energia à menopausa.

Alimentação adequada, atividade física, descanso e acompanhamento de saúde são partes importantes do cuidado.

E vale lembrar: cuidar da própria energia não significa conseguir fazer cada vez mais. Às vezes, significa reconhecer nossos limites e reorganizar prioridades.

Por que tantos sintomas parecem acontecer juntos?

O climatério é uma fase de transição hormonal que pode começar anos antes da última menstruação.

Nesse período, as oscilações hormonais podem estar associadas a mudanças no sono, no humor, na sexualidade e em outras funções do organismo.

Mas a experiência de cada mulher também é influenciada por sua saúde, seus hábitos, seu histórico médico e suas condições de vida.

Algumas atravessam essa fase com poucos desconfortos. Outras enfrentam sintomas intensos que exigem acompanhamento e tratamento.

A menopausa pode explicar parte do que sentimos, mas não deve se transformar em explicação automática para tudo o que acontece depois dos 40.

Reconhecer os sintomas é importante. Buscar cuidado também.

A pesquisa mostrou que muitas participantes já adotam diferentes formas de cuidado, como acompanhamento ginecológico, atividade física, terapia hormonal prescrita e mudanças na alimentação.

Mas também revelou que parte das mulheres convive com sintomas sem necessariamente buscar soluções de maneira ativa.

Nem todo desconforto precisa ser suportado em silêncio.

Observar o que mudou, registrar os sintomas e conversar com um profissional de saúde pode ajudar a identificar suas causas e encontrar caminhos de cuidado.

Existem tratamentos hormonais e não hormonais, além de mudanças de hábitos que podem ser indicadas conforme os sintomas, as preferências e o histórico de saúde de cada mulher.

A menopausa é mais do que uma lista de sintomas

Talvez a principal reflexão dessa pesquisa seja justamente esta: precisamos ampliar a conversa sobre menopausa.

Falar de fogachos, sim. Mas também de noites mal dormidas, concentração, desejo sexual, pele, cabelos e energia.

Por trás de cada resposta, existe uma mulher com uma história, uma rotina e uma maneira particular de atravessar essa fase.

E nenhuma delas deveria sentir que precisa simplesmente aceitar um desconforto porque chegou a determinada idade.

Envelhecer faz parte da vida. Conviver com sintomas que prejudicam nosso bem-estar sem buscar ajuda não precisa fazer parte dela.

Quanto mais compreendemos nosso corpo, mais condições temos de fazer escolhas conscientes sobre nossa saúde.

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Porque compreender o que sentimos também é uma maneira de cuidar de nós mesmas.


Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Sintomas como fadiga, alterações de memória, distúrbios do sono e mudanças na libido podem ter diferentes causas e devem ser avaliados individualmente.
Fonte da pesquisa
Integra — Consultoria em Engenharia e Gestão. Relatório de Pesquisa de Clientes — Projeto Kunda Care, junho de 2026.
Pesquisa realizada com 164 mulheres, divulgada por grupos de WhatsApp e comunidades do Facebook, com predominância de participantes acima dos 50 anos. Os resultados descrevem as respostas das participantes e não representam estimativas nacionais.